Apoio psicológico domiciliar no pós parto

Por dentro ela chora, resmunga da noite mal-dormida, traveste a irritação sentida pelo choro constante em um abraço e embala o bebê. Tenta lembrar se esqueceu de atender alguma necessidade do bebê, que não dorme, não aquieta, não cede no sono. Olha pro relógio, ainda faltam 50 minutos pra próxima mamada ‘Fome não pode ser […]

Por dentro ela chora, resmunga da noite mal-dormida, traveste a irritação sentida pelo choro constante em um abraço e embala o bebê. Tenta lembrar se esqueceu de atender alguma necessidade do bebê, que não dorme, não aquieta, não cede no sono. Olha pro relógio, ainda faltam 50 minutos pra próxima mamada ‘Fome não pode ser ainda,pensa. Enrola-o no cueiro fazendo um charutinho e o coloca em cima da cama, na vã esperança dele finalmente amansarnada. Está sozinha em casa. Está de pijamas desde a manhã. Não conseguiu almoçar. Lágrimas começam a emergir e ela decide deixá-lo na cama, enquanto vai até a sala chorar e desaguar em lágrimas‘Não era pra ser assim.’

 

Apoio é a palavra que deveria caracterizar o momento do puerpério. Nenhuma mulher consegue ser mãe, consegue se dedicar por completo, se não há apoio no pós parto. Seja do parceiro, seja da mãe ou da sogra, seja das amigas, do pediatra ou do próprio obstetra. E por que precisa-se tanto de outras pessoas nesse momento que a mulher está tão voltada para seu bebê? Simples! Pra que esse vínculo se estabeleça da maneira mais intensa e saudável possível.

O puerpério é o momento de vida que a mãe passa até que seu filho complete 2 anos. Costumo dizer que se trata de um período de fragilidade e também de descobertas. Fragilidade, pois poucas mulheres conseguem se preparar de forma adequada para o pós-parto. A mãe em potencial não sabe o que há de vir após o parto e algumas demandas podem ser desafiadoras. As alterações hormonais também podem provocar uma montanha-russa de sentimentos. Descobertas, pois todos da família adquirem um novo papel: a filha se torna mãe, o marido se torna pai, a mãe se torna avó, a irmã vira tia. O nascimento do bebê implica em transformações estruturais também e todos procuram achar sua identidade dentro dessa nova dinâmica. Achar seu devido lugar acarreta saber até onde aquele novo papel te permite agir. Encontrar apoio nesse momento é como encontrar aconchego e condições para que a mulher possa desabrochar como mãe e conseguir exercer seu papel.

Esse processo de reorganização psíquica da mulher que além de filha, se assume como mãe não é fácil, mas temos algumas dicas e insights que podem auxiliar – e muito – nessa fase:

– Tenha seu parceiro como mediador entre suas demandas e o anseio das visitas em ver vocês e auxiliá-los de alguma forma.

Para que a dica acima funcione, procure manter a comunicação com seu parceiro limpa e sem ruídos. Explique a ele como se sente e converse sobre seus sentimentos. Para alguns homens é difícil compreender esse momento, porém conversando, a comunicação tende a melhorar.

É normal e aceitável que a puérpera passe por momentos que se sinta fragilizada. Isso não a faz menos capaz para maternidade. 

Perceba até que ponto essa fragilidade interfere nas suas relações com as pessoas e principalmente no vínculo com seu filho. Se preciso for, procure um psicólogo da área.

Delegue as tarefas rotineiras da casa às pessoas disponíveis. Não tenha vergonha de pedir auxílio. As pessoas gostam de se sentir úteis, na medida que podem contribuir para o bem-estar, mas para isso é preciso verbalizar que precisa de auxílio.

No caso de não dispôr de pessoas próximas para te auxiliar, organize-se previamente. Adiante, durante a gestação, o que for possível para que você possa aproveitar seu tempo para descansar, estar com seu bebê e outras prioridades. E no caso de não conseguir, pague por esse auxílio!
Não há nada demais em reconhecer que talvez uma faxineira ou cozinheira facilitaria sua rotina e pouparia essas atividades nesse primeiro momento. Uma doula pós-parto pode te auxiliar com alguns cuidados com bebê e tirar algumas dúvidas. O banco de leite pode vir a ser um grande incentivador para a amamentação dar certo.

– Grupos de apoio! Essa é a melhor ferramenta para se reconhecer que a fase do pós-parto só muda de endereço e que quase todas as queixas são comuns a esse período. Nesses grupos trocam-se experiências, relatos e algumas soluções para os corações aflitos.

Alguns grupos que podem te auxiliar aqui em Brasília:

Tem um grupo de apoio ou desejar divulgar um que você faça parte aqui em Brasília ou na sua cidade? Deixe nos comentário que ajudaremos a divulgar.

A maternagem se torna mais fácil quando pode contar com uma rede de apoio (inclusive psicológico domiciliar) no pós parto e por toda a maternidade. Mães merecem e devem ter um olhar diferenciado e cuidadoso nesse momento
 

Texto de autoria de Natália C. Vieira Lima – Psicóloga – CRP 01/16096

Gostou do texto? Tem dúvidas ou sugestões de temas? Entre em contato comigo, pelo email: vinculomaterno.vm@gmail.com

Psicóloga, com atuação e experiência na área de vínculo mãe-bebê.
Além da psicoterapia sob enfoque de um olhar cuidadoso e diferenciado, realizo pré-natal psicológico, que se trata de acompanhamento psicológico com objetivo de vermos e trabalharmos aspectos emocionais da maternidade, preparação para o parto e demandas do puerpério e realizo atendimentos domiciliares no período do pós-parto.

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