Cadê a mulher que estava aqui? Sete conselhos para mulheres no pós parto.

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe e morre uma mulher sem filhos – é assim que muitas mães se sentem nos primeiros meses de maternidade. A turbulência hormonal, a responsabilidade em cuidar de uma nova vida, o novo papel social e tudo mais que a maternidade traz no seu pacote fazem com que […]

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe e morre uma mulher sem filhos – é assim que muitas mães se sentem nos primeiros meses de maternidade. A turbulência hormonal, a responsabilidade em cuidar de uma nova vida, o novo papel social e tudo mais que a maternidade traz no seu pacote fazem com que aquela mulher que pariu muitas vezes não se reconheça mais. Os amigos se afastam, o tempo (e o interesse) para se dedicar às atividades costumeiras não é mais o mesmo, há muito cansaço e a mulher se vê com a mente 100% voltada para o bebê e o mundo infantil. Todo esse processo, em algum momento, pode gerar um sentimento de luto pela mulher que ela um dia foi, antes de ser mãe.

Há ainda uma pressão social para que a mãe volte a ser a mesma mulher de antes: para o corpo voltar logo a sua forma pré-gravidez, para que ela volte ao trabalho, volte a ter a mesma vida sexual de antes, volte a sair para os mesmos lugares e usar as mesmas roupas. Os amigos, principalmente os que não tem filhos, muitas vezes se afastam. Outras vezes, a própria mulher se percebe sem assunto e sem nenhuma afinidade de interesse com aquelas pessoas que antes considerava muito próximas. O relacionamento conjugal também pode ser afetado pela mudança grande na dinâmica familiar: o casal está exausto, o assunto principal é sempre o bebê, a vida sexual já não é mais a mesma.

No meio disso tudo a mulher se vê perdida e sente falta da vida antes da maternidade. Sente falta da sua identidade como uma pessoa com nome e sobrenome, não apenas “mãe do bebê”. E ao mesmo tempo em que ela sente falta de viver fora da maternidade ela não quer sair daquele mundo, ela não vê uma saída interessante. Aquele hobby que teve por tantos anos não parece mais tão importante quanto tirar um bom cochilo num momento em que o bebê dorme. Conversar com um amigo de longa data ficou chato e sem sentido. A carreira dos sonhos já não é tão relevante e pensar na volta ao trabalho pode ser muito assustador.

Se você acabou de ter um bebê e se identificou com a situação, existem algumas coisas que podem ser feitas para melhorar esse sentimento e que podem te ajudar nesse reencontro. Abaixo sete conselhos:

Entregue-se e aceite as transformações. Aproveite esse momento tão intenso da vida para mudar alguns aspectos da vida. Seja algo mais prático como os hábitos alimentares ou algo mais subjetivo como abrir mão de tentar controlar as situações. A maternidade é transformadora e isso não necessariamente é ruim.

Tente identificar se a necessidade é sua ou se é apenas uma cobrança social. As vezes você ainda está curtindo a fase de lamber a cria e a pressão da família e dos amigos para que você retorne às atividades costumeiras e a vida social pode te deixar em conflito. Por exemplo, avalie se você já se sente mesmo à vontade em deixar o bebê com a avó para sair a noite ou se você pensa em fazer isso apenas para corresponder às expectativas de outra pessoa. Vai chegar o momento em que você vai se sentir segura o bastante pra isso, mas não se antecipe. Tudo tem sua hora!

Tente, aos poucos, retomar os hábitos de antes da gravidez. Pense em pequenos momentos que te fazem falta: você costumava ir ao cinema regularmente? ou corria todos os dias? fazia as unhas todas as semanas? Vá devagar. Faça junto com o bebê se for possível, com ele no carrinho ou no sling. Se você já se sente segura, deixe o bebê com alguém e tire algumas horas para fazer algo que te dê prazer. Agora, se mesmo assim não foi tão legal quanto costumava ser…

Saia da sua zona de conforto. Você mudou, porque seus gostos e vontades não mudariam? Pode ser infrutífero ficar tentando fazer as mesmas atividades, usar as mesmas roupas, ir aos mesmos lugares, encontrar as mesmas pessoas e falar dos mesmos assuntos de antes de ter filhos. Lógico que não é tudo que vai mudar, talvez quase nada mude, mas se você se sente deslocada e percebe que esses hábitos não te dão mais o mesmo prazer, não tenha medo de mudar. Comece um novo hobby, conheça lugares legais de ir em família, leia sobre coisas diferentes, mude o corte de cabelo…

Encontre outras mães. Estando todas no mesmo período de vida vocês encontrarão apoio, empatia, compreensão, assuntos em comum e verão que é normal ter esse tipo de sentimento. A medida que os bebês forem crescendo as afinidades por outros assuntos vão surgindo e você pode ter encontrado ótimas amigas para a vida toda. Procure por grupos de apoio virtuais ou presenciais, por aulas de yoga no pós-parto ou mesmo converse com mães que passeiam na mesma área que você e frequentam os mesmos parquinhos.

Procure ajuda. Seja com amigos, seja com profissionais. A ajuda pode ser para cuidar do seu bebê por um tempinho, para te ouvir ou para te fazer companhia em passeios. As doulas pós-parto são boas profissionais para te acompanharem nessa fase da vida, elas podem oferecer muita compreensão, escuta e apoio.

Vai passar. Um dos maiores clichês da maternidade, mas é a mais pura verdade. Ter um bebê é só uma fase que passa e quando olhamos para trás enxergamos como passou voando. Pense nas mulheres que você conhece com filhos de 2, 5, 10 anos ou mesmo adultos. Provavelmente todas passaram por isso e algumas sequer se lembram. Pense na posição atual delas na sociedade, em como elas conseguem desempenhar vários papéis, ter vários assuntos e são mulheres, não apenas mães.

Aproveite. Sabendo que vai passar, tente aproveitar com menos cobranças externas e internas. Aquela mulher que existia antes do bebê nascer não morreu quando você virou mãe, ela talvez esteja um pouco perdida e provavelmente não vai voltar sendo a mesma de antes, mas ela está só esperando o tempo certo para aos poucos renascer e coexistir com a mãe que agora você se tornou.

       Acima de tudo, se a pessoa quem você era já não encontra mais espaço na pessoa que você é hoje, eu te garanto: hoje você é muito mais forte exatamente porque mudou.

Se quiser saber mais como funciona o trabalho de uma doula pós parto e como ela pode te apoiar nesse seu novo momento, clique aqui: A rede de apoio e as doulas de pós parto.

 

Update: Fizemos uma SOS MÃES hangouts (um bate papo ao vivo através do nosso canal no youtube) com a Nina e o tema foi esse texto. Se você não conseguiu assistir aproveite a oportunidade AGORA. Veja na íntegra como foi nossa conversa. Ah, e não se esqueça de inscrever-se em nosso canal do youtube para ser avisada dos próximos.

 

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Uma bióloga que se tornou mãe e decidiu virar doula, com ênfase no pós-parto. Sou também brasiliense, taurina, feminista, dona de dois gatos e costureira nas horas vagas.

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