Fotografando o cotidiano em família

Não temos como negar que as fotografias dão uma forcinha para nossa memória, né? Tenho algumas lembranças de infância que me fazem questionar se me lembro mesmo dos fatos, lugares, pessoas, ou se me lembro das fotos que vi. E se não tivesse as fotos, será que me lembraria das minhas festinhas de aniversário, dos […]

Não temos como negar que as fotografias dão uma forcinha para nossa memória, né? Tenho algumas lembranças de infância que me fazem questionar se me lembro mesmo dos fatos, lugares, pessoas, ou se me lembro das fotos que vi. E se não tivesse as fotos, será que me lembraria das minhas festinhas de aniversário, dos meus amiguinhos, da carinha da minha filha quando tomava sopinha de beterraba ou do dia em que ela calçou as botas do avô e se ensopou com um balde de água que usávamos para a limpeza da casa? Antes de desfazer a arte e secar a menina, tirei uma foto! Essa foto já nos arrancou muitas risadas.

Essa semana, paparicando a sobrinha que nasceu há poucos dias, discutíamos se ela parecia com o irmão ou não. Rapidamente, alguém sacou uma foto do irmão quando tinha a mesma idade e vimos o quanto eles são parecidos. Ao mesmo tempo, olhando para o pequeno de dois anos, percebemos como esses bebês mudam rápido! É muito precioso guardar cada fase de desenvolvimento do bebê, suas descobertas, as artes, seus jeitinhos. Garanto que vão render fotografias que nos farão viajar no tempo, despertando emoções, alegria, saudade. Um verdadeiro tesouro, não? Quanto vale uma máquina do tempo?

Então, amigas mães, o que digo para vocês é o seguinte… FOTOGRAFEM SEUS FILHOS! Fotos feitas por profissionais? De vez em quando, quem sabe. Tenho que puxar a brasa pra minha sardinha, né? Mas o que proponho é que fotografem seus filhos em casa, em seu universo, no dia-a-dia, nos passeios em família, nas brincadeiras embaixo do prédio ou no parque.Text in the Information box
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Tá. Aí você que leu meu primeiro texto deve estar se perguntando “uai, mas fotografar tudo a todo tempo não pode levar a uma banalização da fotografia, além de um acúmulo sem fim de dados e arquivos?”. É pra fotografar muito ou não? Então… vamos achar um equilíbrio? Vamos fotografar nosso dia-a-dia, mas com qualidade, com imagens que contem história. Bora?

Antes de abordarmos questões mais técnicas, que virão no próximo artigo, vamos começar estimulando e desenvolvendo nosso olhar fotográfico. Acredito que o olhar diferenciado, independentemente de recursos ou equipamento, seja a alma de uma boa foto. Listei algumas dicas que podem ajudar a soltar essa fotógrafa que tem aí dentro de você e dar um up em suas fotos de família:

Valorize o simples. A simplicidade, e até mesmo o caos do cotidiano, são preciosos. E são preciosos porque são nossos. É a nossa vida, nossa história. Não espere “momentos especiais” para fotografar. O espontâneo é tão lindo! As brincadeiras, o cabelo bagunçado ao acordar, a hora do almoço, a bagunça do banho, as primeiras experiências com frutas, brinquedos, cores, o jeitinho de dormir no colo do pai, tudo isso pode render fotos encantadoras.

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“A câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa ver.” Essa frase do fotógrafo austríaco Ernst Haas nos diz bastante. Para fotografar, temos que ver. Ver com significado, perceber, observar. Em vez de disparar um monte de fotos por minuto, pare um pouco e observe. Observe as expressões e comportamentos das pessoas. A observação atenta nos traz fotos mais conscientes e cheias de significado. Pode parecer bobo, mágico ou até científico, mas a observação vai nos dando a habilidade de antecipar e prever determinados comportamentos. 

Câmera na bolsa, nas profundezas da prateleira de um armário, não vai te ajudar a fazer fotos espontâneas do seu cotidiano. Deixe seu equipamento acessível, seja a câmera fotográfica ou o celular. E não só acessível, mas também em condições de uso. Seu filho está ali fazendo a maior gracinha do mundo e, quando você vai fotografar, a bateria está descarregada. Ou o cartão está cheio. Na hora bate a dúvida se você já passou aquelas fotos para o computador ou não… Será? Acho que sim. Vou formatar! Vou deixar a imaginação do desfecho dessa cena para vocês.

Resista à tentação de chamar a atenção de seu filhote e pedir um sorriso de imediato. Tenho certeza de que o sorriso dele é a coisa mais iluminada que existe, mas antes de pedir a pose, tente fazer umas fotos do que está acontecendo, sem ele notar a sua presença. Depois faça a foto do sorriso mais lindo do mundo!

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Detalhes ajudam a contar histórias. Fotos amplas, que mostrem o ambiente, são importantes para contextualizar, mas fotos de detalhes também podem enriquecer seu acervo, instigar a imaginação, encantar. A mãozinha agarrada em nosso dedo, o dedinho gordinho tocando uma flor pela primeira vez, os cílios, a boquinha, uma roupinha pendurada são detalhes que nos chamam atenção para um corte específico da cena. Mesclar fotos mais amplas com detalhes pode ser bastante interessante para a documentação fotográfica da sua família.

Nosso olhar fotográfico vai sendo formado a partir de tudo o que vivenciamos, das bagagens que vamos acumulando ao longo de nossa vida. Quanto maior o contato com estímulos diferentes, maior a nossa criatividade na hora de fotografar.

Divirta-se enquanto estiver fotografando! Aproveite esse momento para se distrair, interagir com as crianças, observá-las e se observar. Fotografar pode ser uma importante ferramenta de autoconhecimento e de percepção e descoberta do mundo que está a nossa volta.

Espero que tenham gostado dessas dicas para ir sensibilizando o olhar fotográfico de cada uma de vocês. Para inspirar e ilustrar a beleza do cotidiano nas fotografias de família, deixo com vocês uma amostra das fotos de um fotógrafo que admiro demais e que registra sua família de forma absurdamente incrível.

comentários

Tímida e falante ao mesmo tempo, sou um verdadeiro contraste, uma metamorfose ambulante. Encarei os desafios da maternidade muito cedo e hoje entendo que eles não acabam nunca. Tenho formação em psicologia e direito, mas foi na arte da fotografia que me encontrei como profissional. Percebi que expressar ideias por meio de imagens pode ser além de um desafio, uma missão bastante inspiradora.

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