Casamento no pós-parto: Tem jeito?

Falta de sono, irritabilidade, excesso de cobranças, cansaço, falta de apetite sexual. O mundo resumido a fralda, choro e cólica. Uma das estruturas que mais sofre dentro da maternidade, certamente diz respeito ao casamento nos primeiros meses após o nascimento do bebê. Quase todos esses elementos estão presentes no período de adaptação que o casal passa ao receber um bebê em casa. Costuma ser um período de crise, em que podemos entender crise como um agente que modifica situações.

Os filhos vêm com uma poderosa lupa a tiracolo. O que não andava muito bem na relação antes da chegada dele, provavelmente irá se destacar com mais força nesse momento. Problemas mascarados pelas possibilidades do dia dia-a-dia muitas vezes ficam escancarados e fugir deles é a atitude mais desaconselhável. Os filhos também nos colocam a par da realidade ao nos deixar expostos com a nossa própria verdade.

Então o dever-de-casa começa em nós mesmos, ao nos aceitarmos com toda a nossa verdade e imperfeição, levando em consideração nosso corpo marcado pela gravidez, nossos sentimentos atravessados pela maternidade, nossas relações se abrindo para um outro nível de convivência e intimidade. Tudo isso diz respeito a postura dentro do casamento. É o momento de encarar com franqueza a relação que temos com nós mesmos e com nosso/a parceiro/a.

Trago aqui algumas dicas para se fazer ainda gestante. São dois aspectos muito importantes, que ao longo de alguns anos atendendo casais grávidos, observo resultado muito bons, no quesito da cumplicidade:

  • Envolva o companheiro/a na gestação. Partilhe as consultas, peça a presença e converse muito, sobre o que você pensa e sente durante a gestação. Fale sobre as mudanças (emocionais e corporais) que você está passando. Se esse diálogo estiver “emperrado” ou não for fácil abrir esse canal, já está sinalizado um pedido de ajuda. Busque auxílio profissional.
  • Marido/Companheiro/a, faça o possível para estar presente no parto. O momento do parto faz parte da experiência sexual da mulher. Sem contar, que geralmente nesse momento o companheiro/a conhece uma nova faceta da mulher e dali pode (re)nascer sentimento de intimidade, admiração e proteção.

 

Ok, não deu tempo de colocar em prática nenhuma das dicas acima, porque esse texto não chegou a tempo, mas ainda assim ressalto que o canal de comunicação TEM que existir! Coloque para o seu parceiro/a todos os sentimentos ambivalentes que inundam seu coração. Se você não falar, a chance dele perceber e compreender todas essas nuances é muito pequena. Saber lidar com elas, então? Mais difícil ainda. Vamos a mais alguns lembretes para facilitar a relação:

  • Mulheres no pós-parto passam boa parte do tempo em casa e muitas vezes, sozinhas. O aconchego da residência é muito mais atraente, então aproveite esse “tempo na toca” para aproximar o marido. Convide pra ver uma série de TV ou filme, enquanto você amamenta. Mesmo que o sono não deixe, o convite de aproximação está feito!
  • Compreensão é a palavra-chave. E começa nas coisas pequenas de entender que o marido também está cansado e que a mulher também está exausta. Não deve existir sentimento de competitividade.
  • Busque apoio para a logística da casa. Já atendi mães no puerpério que estavam a beira de se separarem de seus parceiros e que ao contratarem auxílio para ajudarem nas tarefas domésticas, viram suas discussões com os parceiros se dissolverem e recuperaram a harmonia que o lar precisava. Em muitos casamentos as cobranças pelas tarefas domésticas em cima de uma ou de outra parte do casal sobrecarregava e gerava conflitos.
  • Pode não ter apetite sexual, mas quase todo mundo gosta de carinho e de afago. Se permita ser tocada, sem intenção sexual. Uma massagem pode ser muito bem-vinda, por exemplo. Mais uma vez, uma boa conversa permite que seu parceiro consiga saber o que está se passando.

 

Essas são algumas dicas que auxiliam a manter o casamento no prumo, mas lembre-se que nesse momento vocês estão reajustando a nova realidade. Ninguém passa ileso a esse ajuste. Dê tempo ao tempo para que você e seu parceiro possam ressignificar a relação e novos papéis que estão assumindo. Desse novo significado pode emergir uma relação com outro nível de cumplicidade e intimidade!

 

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