IMPREVISTOS na vida de mãe? Quem nunca?!

 

Duas semanas, 15 dias, 360 horas…todos os minutos agarrada e entocada no meu passo. De início, desandou, desabou, acabou com aquela longa lista de afazeres que eu tinha que fazer, beirando uma festinha de aniversário. Logo na segunda-feira, um olhinho vermelho e remelento me deu bom dia. Aquele feeling de mãe querendo descrer do diagnóstico de conjuntivite evidente que rondava meu pensamento. Consultas dos meus pacientes desmarcadas pela necessidade de atendê-la, lá vamos nós ao oftalmologista já prevendo e me preparando para um mini-escândalo. Saímos do consultório com prescrição de antibiótico e a recomendação médica de repouso e isolamento. Vá lá explicar para uma criança de 3 anos cheia de vida (leia-se enérgica) que ela vai ter que ficar em casa, sem contato com amiguinhos e que não pode nem parquinho e nem piscina por 1 semana inteira? Confesso que xinguei, praguejei, esbravejei (tudo em nível mental, claro! Não queremos traumas). Justo nessa semana? Como lidar, minha gente? Lembrando que aqui é a gente com a gente mesmo, sem empregada e nem babá.

Desmarca a agenda de toda a semana e lança mão de todas aquelas brincadeiras que a gente guarda no pinterest “pra um dia”. Pois bem, o dia e a oportunidade chegaram. Mas confesso (de novo) que até chegar nesse nível me estressei, me vi sem paciência com ela, fiquei mau-humorada, porque desmarquei também todas os momentos que eu tirava para mim. Enfim, sobrevivemos a semana semi-desastrosa e ela ficou boa. Retomamos a rotina (rotina? Ficou esquecida lá no consultório junto com o diagnóstico de conjuntivite) e domingo eu estava alegre e saltitante que finalmente a segunda-feira se aproximava e com ela o despache pra escola e a minha lista de afazeres atualizada.

planos e imprevistos sos maes

Segunda-feira acordo com uma sinfonia de tosse no meu ouvido e um nariz fungante catarrento. Ah não, sério mesmo? E de minha parte, tenho uma coisa que eu percebo como ética, cuidado de quem vive em sociedade: não dá pra mandar criança pra escola gripado, doentinho. Não dá! É batata que no dia seguinte duas ou três crianças já comungam daquele estado. E logo a última semana de aula, aquela preparada especialmente com várias atrações diferentes, aquela que precede as férias escolares de (mais) 2 semanas!!!

Me lembrei da semana anterior, como tinha sido caótica pra mim e me perguntei se precisava ser assim novamente. E daí me rendi, parei, olhei fundo naqueles olhinhos que eu mesma gerei. Me lembrei dos primeiros dias em que eu e ela estávamos nos conhecendo, criando intimidade, de como algumas coisas foram difíceis e eu amargo por não ter conseguido curtir mais aquele momento. E me vi naquele exato momento do arrependimento, repetindo a mesma cena. Me lembrei que a maternidade (muitas) vezes é cavalgar em um cavalo alado, sem rota e nem lugar pra se segurar e a gente tem que confiar no que se sente.

Tirei um momento de silêncio que precedia o caos fazendo o retorno na esquina pra me saudar e refleti no que eu estava plantando naquele momento. Mais 1 semana, mais pacientes remanejados, mais cuidado, mais doação, mais redenção, mais “cavalgar sem ter onde se segurar”, menos tempo pra mim, mais sentimento, mais “olhar o copo meio cheio e não meio vazio”, mais tempo pra NÓS. Caiu a ficha desse “nós”, que nada mais é que o vínculo em sua mais simples essência. Não existe vínculo sem disposição. Disposição de escutar, de conhecer mais sobre essa outra pessoinha com quem você divide sua existência, de escutá-los, de saber seus anseios, de estar com eles, disposição de construir com eles e para eles.

Depois dessa reflexão breve e intensa, a chave mudou. E o problema não era mais o meu espaço de tempo invadido, era a minha maneira de lidar com os imprevistos: como eu lido com os imprevistos que acontecem? Desse ponto de partida resolvi matutar nisso:

1o) Identifique demandas

2o) Relacione prioridades: e seja bondosa consigo mesma. Não dá pra ticar 70% da lista como urgência. O que não pode ficar pra depois de maneira alguma?

3o) Pense em soluções: hora de ser pragmática e deixar o mi mi mi de lado.

4o) Siga o fluxo: Não nade contra a maré. Siga a correnteza e pegue carona. Foi difícil conseguir aquela consulta médica? Tem que faltar a sessão de terapia? Dá pra acionar o auxílio da sua rede de apoio? Leve o bebê `a consulta ou `a sessão. Ligue para os avós/tios/vizinhos/amigos. O mundo tem que estar preparado para receber mães com bebês e isso só acontece quando saímos com eles a tiracolo e mostramos nossas necessidades.

A maternidade é aquela oportunidade de ouro para a gente reescrever nossa história diariamente. A facilidade tem a mesma dimensão da dificuldade, o que muda é o desafio e o peso que você quer dar a determinada situação. As vezes soltar as amarras e seguir com a correnteza economiza energia e desgaste.

Em tempo: Mãe e filha se salvaram nesse intensivão de convivência, passam bem e agora estão de volta com a programação normal de férias. Peraê! Normal? Férias? Ah, isso já é assunto pra outro post!

Na QUINTA-FEIRA 21/07 – às 21hr, vai acontecer o nosso SOS MÃES hangout, um bate papo online e ao vivo sobre como é ser mãe antes dos 30 anos. ACOMPANHE O BATE PAPO AO VIVO AQUI! Prepare suas perguntas!

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